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Vale de Napa, Vale de Tudo


Pedro Mello e Souza

Château Montelena: cenário venerável para um vinho que abriu o caminho do Novo Mundo a Paris.

Château Montelena: cenário venerável para um vinho que abriu o caminho do Novo Mundo a Paris.

No ano que vem, exatamente no mês de maio, o mundo do vinho celebra uma das mais inesperadas viradas nos conceitos sobre a origem dos rótulos. Em uma degustação às cegas, organizadas pelo inglês Steven Spurrier, em Paris, para celebrar os dois séculos de independência dos Estados Unidos, foram colocados, frente à frente, rótulos de brancos e tintos da Califórnia e do eixo Bordeaux-Borgonha. O que era para ser uma brincadeira – é claro que os franceses ganhariam de lavada – tornouse a origem oficial da expressão “vinhos do Novo Mundo”. Para estarrecimento geral, os americanos ganharam as duas, entre os tintos e entre os brancos.

A palavra-chave da origem dessa vitória inesperada tem quatro letras: Napa. É a região da Califórnia onde os vinhos americanos encontraram a sua plataforma de lançamento, um solo vigoroso e uma condição de clima com as variações ideais de temperatura para as vinhas mais nobres. Mas é também nessa área, assim como a vizinha Sonoma County, que os apreciadores de grandes rótulos encontraram suas novas rotas para degustar. Tanto Sonoma quanto Napa Valley são de uma beleza incomum, com brumas ao amanhecer e um céu lavado no fim do entardecer.

Chalk Hill e o pinot noir de uma das modernas vinícolas de Napa Valley.

Chalk Hill e o pinot noir de uma das modernas vinícolas de Napa Valley.

Mas a viagem começa ainda em São Francisco, onde todos os grandes ícones da degustação histórica podem ser encontrados em cardápios como o do Nick’s Cove, no paraíso turístico da cidade, o Fisehrman’s Wharf. Entre ostras fresquíssimas e caranguejos inteiros, os brancos dão um show particular, com rótulos como o Chateau Montelena, o grande vencedor entre eles.
Para as carnes, a história recomenda o Stag’s Leap, campeão dos tintos, ambos por preços que variam, na carta, por entre 70 e 90 dólares. São baratos? Não. Mas são campeões.

Outras duas sugestões da história de Napa Valley que em encontramos nos cardápios de São Francisco são o Rutheford, servido na carta dos restaurantes como o S&P Brasserie, do Mandarin Oriental e no Five, estrelado, este já em Berkeley. Ou o Grgcih, que se arremata em boas liquor stores espalhadas pela cidade. Explica-se a presença do Grgich: não participou do
Julgamento de Paris, mas é a estrela pioneira de uma Napa Valley ainda na época da Lei Seca.

Saindo por São Francisco via Golden Gate, chega-se à região, de carro, em pouco mais de uma hora. Napa é um vale cruzado por duas estradas, que levam de sul a norte da região, estreitas entre dois maciços montanhosos. Logo na entrada está o Stag’s Leap. No extremo norte, a belíssima propriedade do Chateau Montelena, tal como foi retratada no filme “Bottle Shock”, que contou (e mal) a história da degustação de Paris. No caminho, um rosário de outras vinícolas, umas veneráveis como a Robert Mondavi e a Inglenook, do diretor Francis Ford Coppola, que fica em frente justamente à Rutheford a Grgich, além de outra integrante do julgamento, a Beaulieu.

Mas há marcas modernas que se destacam pela beleza da propriedade, além dos rótulos pontuados. Uma é a Hall, de instalações moderníssimas e contemporâneas no design, tanto para vinícola em si quanto pela estrutura hoteleira e para o rótulo de seu cabernet sauvignon, um dos mais apreciados da região, pelos critérios do mago Robert Parker. Outra, já no outro lado da montanha, em Sonoma, a caminho do mar, está a Chalk Hill, de traços mais tradicionais na aparência, mas que surpreende pela sua diversidade, que inclui desde um sauvignon blanc que estala na boca até um malbec de elegância particular.

Grgich Hill

Se estamos em Sonoma, vale a curiosidade: em cidades como Santa Helena ou Sebastopol, é impressionante a quantidade de bares dedicados à degustação de vinhos, uns inesperados, como os brancos à base da casta portuguesa arinto; outros com o emblema da região, a uva zinfandel. Ou “zin”, como é apelidada com orgulho logo na entrada de vinícolas como a Ravenswood. Ali, os anfitriões submetem os visitantes a uma degustação diferente, em que cada um acaba produzindo – engarrafando e rotulando – o próprio vinho. E, melhor, entendendo sobre cada uva, sobre cada experiência dos dois vales gêmeos, Napa e Sonoma. Ali, tudo vale.

Dois rótulos que contam a história do vinho no mundo, o Stag’s Leap, que bateu borgonhas e Bordeaux, e o Grgich Hill, de um dos pioneiros dos modernos vinhedos de Napa Valley.

Dois rótulos que contam a história do vinho no mundo, o Stag’s Leap, que bateu borgonhas e Bordeaux, e o Grgich Hill, de um dos pioneiros dos modernos vinhedos de Napa Valley.

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