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Terroir: significado e importância


Vinhedo na bonita região central de Otago. Foto: divulgação

Vinhedo na bonita região central de Otago. Foto: divulgação

“Terroir” é a palavra francesa para terra, terreno e, por extensão, para uma pequena região. No sentido figurado, a expressão francesa “sentir le terroir” é perceber em um produto – queijo, manteiga ou vinho – as qualidades ou defeitos de uma região.

Quando se trata de vinho, porém, a palavra é mais abrangente. Refere-se ao ambiente em que as uvas são cultivadas – (incluindo o terreno e sua inclinação), o solo, o subsolo e a profundidade do lençol; a existência de massas de água nas proximidades, o regime de chuvas e padrões do clima em geral e do microclima.

Quando a qualidade e o sabor são claramente originados por esse conjunto de dados ambientais, a ponto de poder ser identificado pelos experts, dizemos que o vinho reflete o terroir. A uva riesling é mestra nesse sentido: seus vinhos tendem a refletir o local de cultivo, diferenciando-se com nitidez os da Alsácia (França), dos do Mosel (Alemanha) e esses do Clare Valley (Austrália).

Euclides Penedo Borges é professor e diretor da ABS Rio – Associação Brasileira de Sommeliers

Euclides Penedo Borges é professor e diretor da ABS Rio – Associação Brasileira de Sommeliers

Ainda que não haja evidência científica para a relação terroir x sabor, ela se faz sentir com nitidez em muitos casos como, por exemplo, no mosaico da Borgonha. Entra ano, sai ano, o estilo do vinho de um mesmo terroir (Romanée) se repete, diferenciando-o de seus vizinhos (La Tache) e levando a diferenças nos preços, fenômeno facilmente verificável também entre um Montrachet e um Pouilly Fuissé, ambos chardonnays da Borgonha, porém de terroirs distintos.

No Loire, o sauvignon blanc de Sancerre sempre se sai melhor e é mais caro do que o da Touraine, ainda que a uva e a técnica sejam as mesmas. O conceito de terroir interessa particularmente pela oportunidade que nos dá de apreciar a diferenciação de um cabernet de Mendoza de outro da Serra Gaúcha ou um pinot noir do Oregon de um de Central Otago que, não existindo, nos daria uma sensação de “tudo igual”. Além do fato de que sempre teremos que pagar mais por vinhos de terroir do que por genéricos da mesma região. Como exemplo, paga-se mais por um Margaux do que por um Bordeaux genérico; mais por um Hermitage do que por um Côtes du Rhône e mais por um Vale dos Vinhedos do que por um vinho gaucho inespecífico.

Euclides Penedo Borges.

 

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