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O sabor de St.Barth


Três sugestões de restaurantes que unem o simples e o refinado em um dos paraísos mais procurados do momento.

Por Elisa Marcolini :: Fotos de divulgação

Pela entrada do restaurante, ninguém dá nada.

Não é de hoje que as Antilhas revelam paraísos em sequência, em um rosário de praias brancas, águas claras, céu e mar muito azuis e um sol sorridente. A cada ano, uma novidade. Mas há um ponto que se tornou uma referência e não desiste de ser moda: a ilha francesa de Saint Barthélémy, a St. Barth, para os íntimos, todos eles membros de carteira de um jet set internacional que não envelhece e se mantém juvenil, especialmente em um dos temas que mais se aquecem na região: a gastronomia. Contemporâneas ou tradicionais, as opções se revelam aos paladares treinados, como o da jornalista Elisa Marcolini, que traz um roteiro da fornada mais refinada dos restaurantes da região.

L’ISOLA

O restaurante está na rua detrás do porto de Gustavia, bem no finalzinho. Quem passa pelo local, não vai dar nada por ele. Ao lado, um restaurante vietnamita que só piora a situação. Mas, como tudo na vida, as aparências enganam, pois o restaurante L’Isola (ilha, em italiano) é único na região, seja pela equipe de Fabrizio Bianconi e de seu chef Giampaolo Pintore, seja pela mesa de primeira e o calor humano, o astral e a decoração simples mas chique, como só um latino pode proporcionar. Música gostosa com mistura de francesa, bossa nova das melhores e até uma seleção do italianíssimo Paolo Conte. Na mesa ao lado, Nelson Piquet e família. Ao redor, muitas nacionalidades e todos, sem exceção, eram chiques e lindos. No cardápio, entradas e pratos criativos, simples e ultrassaborosos. De cara, tudo é italiano, especialmente os ingredientes, o que faz toda a diferença. Na entrada, cogumelo portobello grelhado com rúcula frita no azeite, bem sequinha, e lascas de queijo grana padano. Gemi de prazer.
Depois um simples espaguete com botarga de mugine – as ovas secas e salgadas da tainha.
O marido pediu uma burrata que deixava claro que menos é sempre mais, pois era muito simples mas com todo o sabor. Agora como você esta em casa italiana uma vitela à milanesa com osso, seca, crocante com salada daquele tomate que dissolve na boca, com rúcula e um azeite toscano. Para continuar, e sem culpa, pois isso não é palavra que se aprende na mesa italiana, pedi uma sobremesa de creme de amareto com os verdadeiros amaretos também ao lado. Uma perdição. Acompanhando toda esta delícia, um belo Sassicaia 2004 que aconselho. Para arrematar, na saída, o garçon me proporcionou talvez o melhor prazer da noite, ao gritar: -Ciao, Bella!

Frutos do mar frescos do Caribe, no L’Isola.

Restaurante L’isola
Gustavia  0590 51 00 05
Rue du Roi Oscar II
97133 Saint Bathélémy

BARTÔ

Fui duas vezes ao Bartô. É um dos melhores restaurantes da ilha, e fica no Hotel Guanahani em Grand-Cul-de-Sac, no litoral leste de St. Barth. No comando, os chefs Philippe Masseglia e Nicola de Marchi. Eles me serviram nhoque de beterrabas com aipo, mexilhão e lagostins. Era muito gostoso, mas o nhoque, na verdade era um quenele de purê de beterraba, estava gostoso, mas imaginava outra coisa. O serviço do caviar oscetra veio refinado: claras de ovos cozidos cortadas bem pequenas, formatada num retângulo. Sobre ela. Um creme de alcaparra, depois gema cortada e, acima, o caviar. Estava bom, mas faço a ressalva que considero a alcaparra um elemento na culinária que defino como ladrão, pois pode roubar o paladar de qualquer combinação e foi o que aconteceu neste caso. Mas aí veio o raviólis finíssimos ao queijo parmeggiano com trufas negras de inverno, aspargos e água de tomates assados. Absolutamente delicioso! Eu sou suspeita, pois sou fã de vieiras, as famosas coquilles
Saint-Jacques. Acho gostosas sempre, fácil, é só gratinar e com um fio de azeite por cima com pimenta, excelente. Se de quebra ainda vier com algo acompanhando, então vou à lua. Eram salteadas e servidas com funcho, molho sutil à base de curry e crocante de gergelim. E assim vi estrelas nesta noite, pois estava glorioso.

Restaurante Bartô
Hotel Guanahani e Spa
Grand-Cul-de-Sac
0590 27 66 60

EDEN ROCK

Ambiente refinado, no Bartô, no lado ocidental da ilha.

Como opção de praia e almoço diria que é o campeão. A praia é daquelas que nós brasileiros gostamos. Areia que é areia e água tranquila, morna esperta e com muito espaço para uma caminhada. Enfim, a mim me agrada muito, principalmente quando a comida depois do sol é daquelas fantásticas.
Num ambiente despojado chique com guardanapos verde cítrico e um hotel incrustrado na rocha, bem capa de revista, onde você faz parte deste cenário. No cardápio do chef Jean-Georges Vongerichten e sua chef executiva Anne-Cécile Degenne, caprichos como o gaspacho de pepino com citronela, que é muito leve e saboroso. Eu não me dou bem com gaspacho normal por conta do pimentão que sempre tem, mas esse não. Era uma sopa de pepino com iogurte, enriquecido com o paladar refrescante da citronela, que lembra a hortelã. Lâminas de pepino, alface cortada bem fina e uma amora, (sim, uma amora). Ficou perfeito. Em seguida, uma salada simples, crocante e criativa à base de vagens (pois gourmands) cortadas em tiras muito finas e uma novidade em termos de alface: a variedade sucrine, que é simplesmente cortada ao meio. Completam salsas do tipo baby e tiras de queijo grana padano.
Na sequência, calamares empanados desmanchando na boca, crocante e muito sequinho. Eram servidos com dois molhos, um de tomate picante e o outro de mostarda com alho ao fundo. De tão bom, tive que perguntar: foi frito cru mesmo, apesar de estar desmanchando na boca e a crosta é como diz o prato de farinha de pretzels esmigalhados. Para aliviar a culpa, pedi uma mussarela de búfala  com doce de casca de limão picado e duas folhas de manjericão, assim, displicentemente em cima de tudo. Incrível Mas vou confessar, já que não tem penitência, comi também uma pizza de trufas negras com queijo fontina, feita na hora num forno à lenha que construíram este ano, logo na entrada. Não deu para dispensar este item, pois o perfume da trufa e da massa no forno toma o ambiente. Agora na honestidade, antes do café teve uma cheese cake.

Simplicidade e criatividade: estilo sorridente de St. Barth, no restaurante Eden Rock.

Como não comer uma, num restaurante tipicamente para americanos?
Era do tamanho certo com  um sorbet de framboesa ao lado. E chega! Café, a conta e muita caminhada…

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