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Maria Beltrão


Crédito foto: Luciano Saldanha

Um bate-papo com a jornalista que revela dois ingredientes fundamentais para quem gosta de comer: memória e emoção.
Pedro Mello e Souza

O início
Minha incursão na cozinha aconteceu bem cedo. Com oito anos, adorava fazer bolo de banana, bolo de maçã com fatia em cima. Aos 15 anos, fiz a cesta inteira de Natal pra homenagear o meu pai, preparando um peru com a farofa dos miúdos. Fiquei nervosa. Queria fazer aquela homenagem e, mesmo com aquela função toda, não aceitei nenhuma interferência. Até entrar na TV Globo, cozinhava todos os fins de semana para os amigos. Tenho marcas na memória e na pele, que grudou uma vez naquela panela enorme de preparar paella. Mas fazia muitos doces, principalmente, aqueles que estavam em um livro que só quem é da minha época vai lembrar: o Livro de Receitas da Vovó Donalda. Recentemente, comprei o da Emília para a minha filha Ana.

 

O Café da manhã
Acordo querendo penne. Não tem essa de café da manhã tradicional, a exemplo do meu tio, que tem quase 90 anos, e adora um breakfast que é um verdadeiro almoço. Vacilou uma vez em um voo da Japan Airlines – tinha polvo, e tentáculo no café da manhã é meio forte demais. Mas essa generosidade do café da manhã acabou pagando certo tributo. Foi com um daqueles cafés da manhã de Londres, que tem de tudo. Comi tão bem, no dia do teste de proficiência de Cambridge, que dei uma travada durante o exame.

 

Credito foto: Pedro Mello e Souza

Paris e as vieiras.

Memória no paladar
A memória afetiva é a grande companheira do paladar. Meu pai tinha coleção de latinhas de ostras. Recentemente, comprei 15 delas em um ataque saudosista que acabou contaminando a mãe, a antropóloga Maria, que levou seis delas consigo. Outra memória é a dos pães com azeite, que lembram meu avô, e com tomate, que meu pai amava. E eu sou louca por azeite. Mas lembro também do tempo em que morei em Paris, ia a uma loja de queijos, uma fromagerie na l’île St.-Louis, e adorava quando pedia um camembert e o dono perguntava tudo, com quem ia comer, com que vinho ia acompanhar. Não era curiosidade – era carinho. Voltei lá há algum tempo e chorei. Ele estava, mas não me reconheceu. Acho que não. Por último, um presente do meu marido, Luciano Saldanha: uma garrafa de champanhe Petrus da minha idade, que ele encontrou na adega de casa.

As aventuras
Na aventura gastronômica, vou no voo cego com a minha irmã (a empresária Cristiana Beltrão), que me leva pela mão ou me recomenda, como foi o caso com o Avillez, em Lisboa. Foi maravilhoso, porque ele quebrou um pouco a minha implicância com os moleculares – mas foi ele que aproximou o meu paladar da técnica. Mas estou sempre superdisposta e me divirto em qualquer restaurante, mesmo não curtindo tanto, como no caso do Celler de Can Roca. Mas gosto também de perseguir tradições, como a de ir a Viena para encontrar a origem do que chamamos de bife à milanesa – o wiener schnitzel. Inesquecível, simples, com uma salada de batatas e óleo de semente de abóbora.

 

A relação com os restaurantes
“Mãe, seus netos estão com fome” – essa é a isca para fazer acontecer de tudo, em qualquer lugar do mundo, não importa qual seja, se a minha mãe estiver do lado. A autoridade dela é tamanha que as coisas se materializam na nossa frente. Sou ela cada vez mais, inclusive nesse aspecto. Outra questão é a ansiedade diante da escolha do restaurante e até do cardápio, que eu ficava sem paciência de ler. Nesses casos, a fórmula é “Cris, aonde eu vou?”

 

Preferidos
A coquille St. Jacques de um restaurante de Paris, que o chef preparava com azeite e um microalho, picado muito fino. Chegava antes de a casa abrir e o patron ficava bufando de ódio. Teve um dia que ficou com tanta raiva que nem cobrou a conta.

 

O pão com tomate
Está pensando que é fácil fazer um pão com tomate. Nada disso. Um especialista me explicou a lógica de testarmos todos os ingredientes até ficar no ponto perfeito, não só do pão e do tomate, mas também do alho e do pimentão. Devo ter feito mais de um milhão deles até acertar o tempo de tostar o pão, até que a superfície dele fique abrasiva o suficiente para que a gente “rale” cada um dos itens, em ordem específica.

 

 

 

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Um comentário
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  1. Gostaria de assistir a participação toda sexta-feira da jornalista Maria Beltrão no jornal em pauta Seria maravilhoso porque Maria tem um astral maravilhoso além de ser uma profissional super competente que por pior que seja notícia ela tem sempre um comentário de esperança para o povo brasileiro .

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